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LUCIANO GUEDES

Câncer de mama em homem? Sim, existe. Entre os quase 60 mil novos casos de câncer de mama diagnosticados todos os anos no Brasil, 1,5% desse montante, ou seja, por volta de 1000 casos acontecem com homens. É mais raro, porém não é ‘doença de mulher’, como muitos pensam e, por isso, não se tratam. Homens também tem glândula mamária e ali pode se desenvolver o câncer.

A dificuldade em encontrar homens que estivessem ou já tivessem tido o câncer de mama para participar do projeto foi grande. Não só pelo fato da incidência ser menor, mas principalmente pelo preconceito que envolve o tema. Muitos tem vergonha, alguns acreditam que deve ter algo errado com eles, penando que essa seria uma doença feminina, e, por isso, não gostam de se expor. Em 14 anos do Projeto “De Peito Aberto”, até agora só conseguimos dois bravos guerreiros que se dispuseram a fotografar e compartilhar suas histórias. Um deles foi o senhor Amadeu Costa, que entrevistamos e fotografamos depois de 4 anos do início do projeto, e agora o Luciano Guedes, 54 anos, veterinário, de Porto Alegre. Esperamos que as histórias desses homens fortes e sensíveis possam inspirar muitas pessoas a se cuidarem, a falarem mais sobre o câncer e saber que a informação ajuda a lidar melhor com a doença e a valorizar ainda mais a vida.

Luciano descobriu o câncer de mama aos 49 anos. Sem querer, ele percebeu um nódulo que o deixou alerta. “Diferente de tudo que sempre fiz, adormeci com a mão no peito e acordei sentindo um nódulo. Achei estranho. Tenho um irmão médico e fui até ele porque percebi que aquilo não era normal. Logo fui encaminhado para especialistas e me pediram todos os exames. Veio o diagnóstico: câncer de mama. Foi tudo muito rápido. Depois de 15 dias já estava fazendo a cirurgia de retirada da mama e, em dois meses, comecei a quimioterapia. Foram oito sessões, de 21 em 21 dias.

Apesar do susto com o diagnóstico, Luciano encarou os desafios com serenidade. “O momento mais delicado foi na hora de contar para minha mãe, com 76 anos na época, que eu estava com câncer. Foi muito difícil. Ela tinha o histórico da mãe, minha avó, que havia falecido com câncer quando ela era ainda uma menina de quatro anos de idade. A Irmã também teve o câncer de mama e precisou fazer mastectomia e a reconstituição. Agora, saber que o filho também estava com câncer— e com câncer de mama— ia ser um baque. E foi. Depois ela reagiu bem e passou a me apoiar muito. Aliás, tive muito apoio da família. Somos muito unidos. A estrutura familiar – pai, mãe, irmãos – e os amigos foram fundamentais no enfrentamento da doença e na superação. Minha mãe sempre foi comigo nas sessões de quimio. Ela fazia questão de levar bolo e quiche para as outras pessoas que estavam em tratamento. Era uma verdadeira festa quando ela chegava. Os amigos e até os clientes sempre me ligavam, perguntavam como eu estava e se podiam ajudar em algo. Foi muito importante esse calor humano”.

Durante o processo Luciano sofreu com os efeitos do tratamento. “Para mim, foi complicado perder os cabelos. Nem tenho muito cabelo, é verdade. E para os homens acaba não sendo nada de muito extraordinário ficar careca. Não era a estética que me preocupava, mas a sensação de perder os fios aos tufos. Foi bem desagradável e angustiante. Só nesse momento que, junto com o cabelo, caiu a ficha de que eu estava mesmo doente. Nem a retirada da mama me afetou tanto.”

“O momento mais delicado foi na hora de contar para minha mãe, com 76 anos na época, que eu estava com câncer. Foi muito difícil.

A cirurgia trouxe outras reflexões para Luciano. “Um pouco antes de me operar eu me olhei no espelho e disse: ‘Amanhã vou estar diferente, não vou ter mais essa imagem’. Não me desesperei, mas foi como uma despedida de um amigo que não veria mais. No meu caso, não foi possível preservar o mamilo por causa da localização do câncer. Fiquei um pouco chateado com isso, mas logo passou”. O tratamento foi encarado de forma pragmática por ele. “Durante a quimioterapia, para enfrentar a coisa, eu montei um calendário. Ia contando e marcando as sessões: uma a menos; faltam 7, 6, 5… E assim foi até o final. Depois de um tempo apareceu um nódulo na outra mama. Outro susto. Fiz a biópsia mas não deu nada. Ainda bem.”

As cicatrizes se transformaram em sinais de vitória para Luciano. “Eu era casado na época, e minha ex-esposa também me apoiou. Fiz até coleta se sêmen para preservar a possibilidade de ter filhos, caso um dia eu quisesse ter filhos. Não tive. Mas está lá garantido. Me separei e hoje estou noivo e vou me casar. Conversei sobre tudo isso com minha noiva. Ela tem várias tatuagens pelo corpo e eu sugeri que eu também fizesse uma para disfarçar a cicatriz. Ela me disse: Faça se tu quiseres, mas lembre-se que esta cicatriz já é uma linda tatuagem e representa a sua vitória’. Ela sempre repete: ‘Que peito bonito você tem!!’, o que me ajuda muito na minha autoestima.

Luciano não nega os altos e baixos de todo o processo mas com muito equilíbrio e discernimento acredita na vida que segue. “Em nenhum momento senti minha masculinidade afetada. Durante o tratamento a gente vê outras pessoas passando pelos mesmos desafios e percebe que não acontece só com você. Sem dúvida, durante o tratamento, desde do diagnóstico e passando por todo o processo, tu te sentes fragilizado. Mas, minha estratégia foi me envolver e ser envolvido só por pessoas que me trouxessem energia positiva. Eu sempre repetia para mim mesmo: ‘É uma fase e vai passar’”.

“Em nenhum momento senti minha masculinidade afetada.”

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