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ANDREA LUNCH

Minha irmã, Andrea Lynch, foi – e continua sendo – uma das principais inspiradoras desse projeto. Sua fé forte e determinada é a base que sustenta sua forma de encarar os desafios que a vida apresenta. Foi o que a ajudou no momento em que soube que estava com câncer de mama. Além do seu tratamento, teve ainda que lidar com a doença do nosso irmão e de nossa mãe. Dez anos depois do primeiro diagnóstico, enfrentou corajosamente o retorno do câncer de mama. Conheça mais sobre a história de Andrea e, como eu, se inspire com a força dessa guerreira que sabe como ninguém dar novos significados e rumos para sua vida e, assim, se manter jovem e feliz com o passar do tempo.
“Diante daquele turbilhão de emoções tão positivas ficou claro que se eu deixasse brotar uma pontinha de dúvida ou de medo que fosse, poderia perder e ir à lona.”

Para mim, minha irmã sempre foi um modelo. Ela nasceu alguns anos antes de mim. E como ela diz “Vera é um pouco minha filha, também”. É como eu me sinto. Na verdade, ela sempre inspirou em mim sentimentos de admiração e gratidão. A nossa mãe trabalhava muito, então ela é quem cuidava muitas vezes de mim, quando eu era pequena. Checava se eu tinha tomado banho direito, se havia feito a lição de casa, se estava comendo o que devia. Nos anos 70, quando ela resolveu sair do país e muito jovem foi morar nos Estados Unidos, eu fiquei um pouco sem chão. Mas, eu seguia contando para todo mundo, com muito orgulho, sobre a irmã corajosa que tinha. Por isso, muito tempo depois, quando eu recebi o telefonema dela no meio de um dia de trabalho, foi um choque. Ela me disse: “Vera, eu estou com câncer de mama.” Um tempo antes, ela tinha tido um câncer de pele e naquele momento já havia tomado todas as providências para enfrentar a doença sozinha, longe da família. Eu queria estar com ela e não podia. Estava aqui no Brasil apoiando nosso irmão doente e, logo depois, nossa mãe também com câncer. De novo, pensei: “Como minha irmã é forte! Como ela consegue lidar com toda essa avalanche?”. Por isso, agora, compartilhar a história dela com vocês me enche de alegria e emoção. Ela continua sendo essa mulher linda, forte, meu porto seguro e minha fonte de inspiração. Espero que vocês também se inspirem com a experiência dela.

Para surpresa geral, inclusive a dela mesma, Andrea teve uma reação positiva e experimentou uma felicidade jamais sentida em toda a sua existência assim que recebeu o diagnóstico do câncer. Tudo graças à fé, que despertou nela o desejo de não aceitar ser vencida pela doença; e isso mudou a forma como ela encarou o tratamento e, mais importante, a própria vida. Na contramão do que geralmente acontece, receber o diagnóstico de câncer não foi um atestado de morte para Andrea, mas, de vida. Claro que o baque inicial a pegou de jeito. “Na verdade, o que mais me assustou não foi a notícia da doença e, sim, a expressão no rosto da médica. Ela não conseguia me encarar porque tinha que me dar a má noticia. Por um segundo, a atitude ela me abateu, mas imediatamente percebi que esta seria a minha oportunidade de comprovar a força da minha fé e ultrapassar aquela situação. Como sou budista, essa filosofia de vida me levou a tomar imediatamente a decisão de não ser derrotada pela doença. E foi ali que a minha luta começou”, diz ela.

Não aceitar o papel de vítima fez brotar uma energia descomunal em Andrea, e ela já não se sentia mais sozinha nem com medo. “Diante daquele turbilhão de emoções tão positivas ficou claro que se eu deixasse brotar uma pontinha de dúvida ou de medo que fosse, poderia perder e ir à lona. Era como se, por instinto, eu soubesse que era hora de me cuidar, de fazer tudo que poderia ser feito, sem medidas”, conta.

Determinada, feliz e segura, ela se dedicou intensamente às atividades pessoais, profissionais e espirituais. Ajudava outras pessoas e se dispôs a encontrar o melhor tratamento e o melhor médico. “Procurei muitas opiniões para tentar preservar minha mama, até encontrar um especialista maravilhoso, que fez a cirurgia da forma menos invasiva possível. Recebi uma dose mínima de radioterapia, sem ter que passar pela quimioterapia”, diz, emocionada e agradecida por ter descoberto o nódulo bem no início, quando ainda era pequeno, durante um exame de rotina, que deve ser feito sempre por todas as mulheres.

Dez anos depois, o câncer voltou. O tumor apareceu na mesma mama, mas dessa vez era de outro tipo, mais agressivo. “Fiz uma cirurgia maior, que num primeiro momento foi tudo bem. Como tiveram que tirar gordura da barriga para enxertar na mama, cheguei a pensar: ‘Que bom, até ganhei uma cirurgia plástica completa!’. Só que, ao voltar para casa, surgiu uma infecção no corte que fizeram na barriga e o meu médico não conseguia descobrir o que era. A situação se complicou e voltei para o hospital, onde fiquei por mais dez dias. Depois, a recuperação também foi difícil, pois tive que me manter em repouso, sob os cuidados da minha filha, na casa dela por mais um mês”. Mesmo diante de mais esse grande desafio, Andrea não perdeu o otimismo e manteve a certeza de que já era vencedora.

Porém, quando tudo aconteceu com o nosso irmão, ela não reagiu tão bem “Infelizmente com o meu irmão Peter a história foi diferente. Quando soube que o tratamento dele não estava dando certo, um misto de sentimentos me invadiu. Racionalmente sabia que tinha dado o meu melhor, mas no fundo achava que de alguma forma estava falhando, já que eu era a irmã mais velha, a que sempre cuidou do irmão menor. Ele tinha apenas um ano menos que eu, mas o meu emocional não conseguia entender essa cronologia. Eu me achava responsável por ele. De um lado, as providências práticas para ajuda-lo, incluindo largar tudo nos Estados Unidos para ir ao Brasil doar a medula para ele não me assustaram. Difícil mesmo foi ultrapassar a dor de perdê-lo”, afirma Andrea, que hoje se diz fortalecida e convicta de que, mesmo com os altos e baixos da vida, ela está pronta para o que der e vier.

Eu tenho muita sorte de ter uma “irmã” como ela, que me ensinou a prática Budista, abriu meus horizontes e me inspira sempre a transformar veneno em remédio, a ultrapassar, aprender e crescer com todos os obstáculos e a nunca desistir.

“Graças à minha fé tive força, determinação e segurança para lutar contra o câncer e buscar o melhor médico e o melhor tratamento para o meu caso. Hoje estou curada e encaro a vida de outra forma, ainda mais positiva.”

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