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EDITH NEVES

Receber atendimento humanizado e poder terminar o sonhado curso de pós-graduação em arte antes de operar o tumor despertou na artista plástica Edith Neves a esperança de que tudo poderia dar certo. E ainda deu a coragem necessária para ela finalmente conseguir pronunciar a palavra ‘câncer’.

“Continuar com o meu trabalho artístico e dar aulas de arteterapia para pacientes no Hospital do Câncer me manteve determinada a vencer a doença. Pintura é arte terapêutica; com ela, você sai do foco da tristeza e vai para a criação.”

O câncer traz uma carga tão apavorante que muita gente sequer consegue dizer o nome da doença; como se a pronúncia fosse um vírus e repeti-la traria o risco de ‘pegar’ a enfermidade. Esse era o temor de Edith, que chegava a atravessar a rua quando passava em frente ao Hospital do Câncer de São Paulo, o atual A. C. Camargo, um centro de referência. “Mas, olha só que ironia: lá é que eu fui buscar ajuda quando recebi o diagnóstico de câncer, e que, até então, eu achava se tratar de algo no coração, já que eu sentia pontadas no seio. A desconfiança foi reforçada pelo meu histórico familiar, afinal, minha mãe faleceu devido a problemas cardíacos e meu pai de derrame. Por insistência da minha filha marquei um consulta médica, e os dois primeiros especialistas me deixaram apavorada ao anunciar que queriam me operar imediatamente, senão poderia ser tarde demais. Que choque!”, recorda.

Como era Carnaval, Edith se deu o direito de assistir os desfiles no Sambódromo, em São Paulo, como se nada estivesse acontecendo. Mas, já no dia seguinte voltou à realidade. “Orei e me determinei a encontrar o especialista certo. Meu marido pediu que eu fosse ao A. C. Camargo. Concordei, respirei fundo e finalmente pisei naquela calçada que tanto me dava medo. Foi a melhor coisa que fiz. Fui tão bem cuidada, encontrei um médico maravilhoso, o mastologista Hirofumi Iyeyasu, que me deu todo o apoio e as opções para lidar com minhas angústias, além de me incentivar a concluir minha pós-graduação em artes antes de agendar a operação.”

Tudo isso fez com que a artista, mesmo sendo vaidosa e com a probabilidade de ter que retirar o seio, entrasse no centro cirúrgico com mais segurança. Ao final da intervenção, ela teve a feliz surpresa de saber que precisou operar apenas um quadrante, removendo uma parte do seio, e que logo poderia fazer a reconstrução. “Esse encaminhamento humanizado foi fundamental para despertar minha determinação de vencer o câncer. Mesmo passando tão mal durante a quimioterapia e a radioterapia. Lembro principalmente do horror que era ficar sozinha e imóvel dentro da máquina de radioterapia, numa sala terrivelmente gelada. Mas, passar por tudo isso ficou muito mais leve quando o doutor Hirofumi disse que eu era um exemplo de vida e que poderia ajudar outras pessoas com minhas habilidades artísticas. Não pensei duas vezes em começar a dar aulas de arteterapia lá no Hospital do Câncer, hoje A.C. Camargo. Pintura é arte terapêutica; com ela, você sai do foco da tristeza e vai para a criação. Tanto é que as alunas sempre saíam sorrindo”, comemora Edith, que seguiu por um bom tempo atuando na instituição, e não apenas com mulheres, mas também com homens e crianças.

Nós encontramos a paulistana Edith na Bahia. Fomos entrevista-la e fotografa-la no Pelourinho, em Salvador, onde fazia parte de um projeto sociocultural, ensinando sua arte para crianças e adolescentes. Edith voltou para São Paulo e continua estimulando as pessoas com sua fé e certeza de que pode vencer mesmo as situações mais desafiadoras.


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